Sabrinalaranjo

Amb un Café i una Llei

O debate das torres em Andorra

Sabrina Laranjo

O debate das torres em Andorra já parece uma partida de padel institucional: todos passam a bola, ninguém quer ficar com ela e, no fim, o público paga pelo campo.

O mais impressionante não é o facto de ninguém ter a certeza se querem torres. O mais impressionante é que estas se constroem há anos enquanto as instituições continuam a falar como se tivessem acabado de as descobrir a partir de um helicóptero de resgate.

A velocidade com que as contradições desaparecem quando há gruas pelo meio. Todos dizem estar preocupados com a habitação, a saturação, o trânsito e a pressão urbanística... mas as torres continuam a aparecer com a mesma naturalidade que os cogumelos depois da chuva.

O Governo diz que parte das competências são dos municípios. Os municípios dizem que o Governo também tem muitas. E assim temos o país a funcionar como aqueles casais que discutem para ver quem deita o lixo fora enquanto a cozinha já está a arder.

A parte mais cómica é ver as instituições a discutir sobre quem tem a responsabilidade. É uma cena belíssima: todos no mesmo barco, a água a entrar por todo o lado e a tripulação a debater quem deve, exatamente, segurar o balde oficial.

A situação tem uma energia espetacular de condomínio a discutir uma infiltração... enquanto no meio da sala de estar já está um submarino nuclear estacionado.

O problema é que Andorra descobriu uma forma revolucionária de urbanismo: construir primeiro e refletir depois. É arquitetura quântica. As gruas aparecem antes das ideias.

E agora todos falam de «estudos de carga», o que soa muito técnico e sofisticado, mas na realidade é a forma administrativa de perguntar:
—Ouçam... talvez nos tenhamos excedido um pouco?

A melhor parte é a frase «temos de decidir o que queremos para este país». Fantástico. Chega sempre logo após terem levantado vinte andares de betão em frente à janela de alguém que antes via montanhas e agora vê cozinhas de luxo com LED azul.

Tudo isto recorda aqueles desenhos animados onde a personagem já correu para fora do precipício, mas ainda não olhou para baixo. Andorra continua a caminhar sobre o ar graças à fé, aos investidores e a uma quantidade industrial de renders em 3D.

E o drama é que ninguém parece querer dizer claramente o que se passa: o país tem uma relação com a construção semelhante à de um ludopata com as máquinas de moedas. Cada vez que aparece uma torre nova, alguém diz: —Uma última e paramos.

A situação já é tão absurda que qualquer dia inauguram uma torre com um discurso sobre a necessidade urgente de preservar a paisagem.

Cada torre nova parece dizer:
—Tranquilos, ainda resta um pouco mais de paisagem para tapar.

A ironia definitiva é que todos falam em «preservar o país» enquanto o país parece cada vez mais uma captura de ecrã de um videojogo imobiliário feito por gente que nunca andou na rua.

Entretanto, o cidadão comum contempla os preços da habitação como quem olha para relógios num aeroporto do Dubai: com curiosidade científica, mas sabendo perfeitamente que aquilo não é para si; o cidadão comum já não procura casa. Procura milagres, heranças ou familiares ricos escondidos.

Mas tranquilidade: com certeza em breve farão outra reunião para estudar o assunto. Andorra já não precisa de mais torres. Precisa de uma escavadora gigante para desenterrar a responsabilidade política que ficou sepultada sob tanto cimento.

Há um momento preciso em que um país deixa de crescer e começa simplesmente a empilhar-se.

E depois vendem-nos o discurso de «repensar o modelo de país», que é maravilhoso porque chega aproximadamente vinte anos depois de terem começado a destruí-lo.

É como incendiar a cozinha e convocar uma reunião para debater se o fumo é sustentável.

E o drama é que tudo se faz com aquele tom institucional lentíssimo, quase zen, enquanto o país se transforma à velocidade de um trailer da Netflix. As administrações reagem com a rapidez de um Windows XP a abrir um PDF de 600 páginas.

Agora todos falam de «limites», «capacidade» e «equilíbrio territorial». Fantástico. Exatamente o mesmo que diz alguém depois do sexto gin tónico.

O problema não é apenas construir. O problema é esta sensação de que o país se converteu numa espécie de casino imobiliário vertical onde cada nova promoção promete «exclusividade» enquanto a população local olha para os preços como quem observa um menu sem preços num restaurante de Mónaco: com medo.

E depois há o grande mito:
—Ainda resta espaço.

Claro. Também restava espaço no Titanic.

E quando finalmente alguém diz «talvez nos tenhamos excedido», aparece sempre um estudo, uma comissão ou um grupo de trabalho. Andorra enfrenta os problemas como aquelas pessoas que, perante um tubarão, decidem primeiro redigir a ata da reunião.

O mais triste é que o país antes vendia tranquilidade, paisagem e qualidade de vida. Agora parece vender renders, vidro fumado e a promessa de que algum dia ainda restará sol entre duas torres para ver uma montanha.

 

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“Si això fos una conversa, ara tocaria un cafè.”

Sabrina Laranjo

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