Amb un Café i una Llei
«Um acordo com mais episódios do que uma série»
«Tantas reuniões… que o acordo já é secundário»
O Acordo com a UE continua a avançar progressivamente com aquela velocidade tão característica: nem depressa demais para gerar nervosismo, nem tão devagar que se possa dizer que está parado. Um equilíbrio perfeito, quase artístico.
Começa com uma ideia genial e brilhante: “acordo misto”; é, sem dúvida, uma das joias mais douradas do processo — uma palavra e uma expressão tão precisas, finas e técnicas que ninguém se atreve a admitir que não as percebeu. É aquele toque tão sofisticado que nos faz pensar e sentir que algo é importante, mesmo que nem sempre seja fácil de explicar numa conversa de café. Todos assentem com a cabeça, em silêncio, como se fosse óbvio para cada um.
Da mesma forma que o som de algo que parece complexo, soa muitas vezes a mais atual!
Depois chega o calendário que, por sua vez, é uma autêntica obra de engenharia; é uma maravilha. Reuniões distribuídas com uma precisão quase poética, como se cada data tivesse o seu momento de brilhar. Não é um processo, é uma coreografia.
À primeira vista, a impressão é simples: progresso, progresso... construção... mas com aquela graça que faz com que nada pareça urgente.
E talvez aqui resida a chave: não se trata de ir depressa, mas de fazer bem… ou, pelo menos, de o fazer com estilo.
Tudo flui com uma calma estudada, como se o tempo fosse mais um elemento do processo, gerido com o mesmo cuidado que os conteúdos.
E nisto chega o desenlace, “o grande final” discreto mas elegante: a possibilidade de uma aprovação sem debate. Meses de trabalho, relatórios, encontros, coordenações… para terminar numa aprovação tranquila, sem debate. Discreta. Elegante.
O resultado apresenta-se com uma serenidade admirável. Sem pressas, sem ruído, quase como se fosse a conclusão natural de um caminho que já estava traçado. Quase tímida.
Como se todo este percurso tivesse servido apenas para confirmar que, efetivamente, tudo estava já bastante decidido.
Tudo isto tem aquele ar que só a burocracia europeia sabe dar: complexidade por fora, calma absoluta por dentro. Uma espécie de magia administrativa onde tudo parece muito intenso… mas sem necessidade de fazer muito barulho.
Entretanto, de fora, a sensação é curiosa: muita atividade, muito movimento, muita estrutura… e um resultado que chega com a suavidade de um “sim” quase impercetível.
Em resumo, um processo impecável: longo, detalhado, ordenado… e com um final tão discreto que quase parece pedir desculpa por chegar.
E isto, bem visto, é que é ter estilo e também tem o seu mérito.
“Tudo muito preparado… para acabar sem fazer barulho”
Sabrina Laranjo
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